Virtual Insanity

Do real ao virtual, as insanidades. Comprimidas e compreendidas pelo tempo.

sexta-feira, setembro 30, 2005

Memória

O que esquecemos
O que queremos esquecer
O que precisamos esquecer
O que pretendemos esquecer
O que não conseguimos esquecer
O que nem percebemos esquecer
O que acreditamos esquecer
O que jamais esqueceremos
O que esquecemos

domingo, setembro 25, 2005

Ser o que realmente é

O jeito que sou, só poucos, muito poucos conhecem. O jeito que realmente sou, só conto e só mostro a poucos. E abafo isso tão bem que não escolho o momento de me mostrar. Não controlo. Por isso as mudanças bruscas de humor. Por isso o excesso de acidez. Por isso o sorriso e o choro. Por isso o cansaço. Uma estafa que me acomete sempre e em todo o lugar. E uma ansiedade que sei extamente o porque. Estou mais reservada do mundo. Mas não consigo ainda me desfazer de minha paralisia. Sei identificar com precisão onde ela está e não faço idéia de como sair dela. A resposta está bem dentro de mim. Os mecanismos estão prontos. Serão acionados quando quiser. Temo que o processo seja lento. Estou feliz porque ele, o processo, existe. Preciso aprender a respeitar o meu tempo. Preciso aprender a não deixar passar em vão o meu tempo.

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Em tempo: agora sinto apenas a dor. Dor em minha cabeça. Minhas tranças foram apertadas ontem. Três dias de dor. A dor que sempre me acompanha. A dor que o tempo sempre cura.

domingo, setembro 18, 2005

My Truman Show

Os dias seguem e ela acorda. O despertador toca às sete da manhã ela olha o relógio, liga o celular, dorme mais dez minutos, tem mais um sonho gigantesco e cheio de significados, desperta num susto! É hora de tomar banho. Escolher a roupa do dia inteiro. Comer alguma coisa. Escovar os dentes. Ir para o trabalho. Aturar toda a palhaçada que este trabalho vem se tornando a cada dia que passa. Hoje é dia de gravação. Tudo está planejado, os problemas são driblados. Mais uma vez, ela precisa ser a motorista e levar a equipe. A pernambucana chega do aeroporto atrasada, mas de bom humor. Reclama da pauta, mas no final acaba gostando. Tudo começa com uma e meia de atraso, mas flui bem. Bons programas. Hora de desproduzir. O lobby volta a ser um lobby. E ela vai dirigir de novo. Vai lá na Federação, perto de sua casa... Mas, nesse instante ela é motorista, e tem que voltar para entregar o carro. Dirige e bem pertinho do trabalho tem um ônibus numa rua bem apertada impedindo a passagens dos carros. Meia hora depois ela se livra disso tudo e corre para pegar a última aula: História do Brasil - "A invasão Holandesa no Brasil". Assiste a aula, o professor é muito bom. Às dez e vinte corre para pegar o ônibus. Chega em casa cansada. Toma um banho, come alguma coisa, escova os dentes e deita. Onze e quarenta da noite. A cabeça não pára de pensar e o coração está acelerado. Quarenta minutos depois, dorme. Amanhã começa tudo de novo. Novo?

Bethânia

Esses dias estou com overdose de Bethânia. Uma overdose específica de um disco antigo, triste e lindo: Mel. Vontade de postar todas as letras de todas as músicas desse disco. Escolhi duas, que deram origem a esta necessidade de mel.

MEL (Caetano Veloso e Wally Salomão)
Ó abelha rainha
Faz de mim um instrumento
De teu prazer, sim, e de tua glória
Pois se é noite de completa escuridão
Provo do favo de teu mel
Cavo a direita claridade do céu
E agarro o sol com a mão
É meio dia, é meia noite, é toda hora
Lambe olhos, torce cabelos
Feticeira vamo-nos embora
É meio dia, é meia noite
Faz zum zum na testa
Na janela, na fresca da telha
Pela escada, pela porta
Pela estrada toda à fora
Anima de vida o seio da floresta
Amor empresta a praia deserta
Zumbe na orelha, concha do mar
Ó abelha boca de mel
Carmim, carnuda, vermelha
Ó abelha rainha
Faz de mim um instrumento
De teu prazer, sim, e de tua glória.

CHEIRO DE AMOR (Paulo Sergio Valle - Jota - Ribeiro - Duda)

De repente fico rindo à toa sem saber porque
E vem a vontade de sonhar de novo te encontrar
Foi tudo tão de repente, eu não consigo esquecer
E confesso tive medo, quase disse não
Mas o seu jeito de me olhar, a fala mansa meio rouca
Foi me deixando quase louca já não podia mais pensar
Eu me dei toda para você
De repente fico rindo à toa sem saber porque
E vem a vontade de sonhar de novo te encontrar
Foi tudo tão de repente, eu não consigo esquecer
E confesso tive medo, quase disse não
E meio louca de prazer lembro teu corpo no espelho
E vem o cheiro de amor, eu te sinto tão presente
(Volte logo, meu amor)

terça-feira, setembro 13, 2005

Infância

Tive uma lembrança de um pensamento de minha infância. Lembro que pensava sempre que minha vida era um sonho. E eu torcia para acordar logo e conhecer minha vida de verdade. Minha vida de verdade era muito feliz, numa casa grande e rosa (????) e eu sempre estava rindo e meu quarto estava arrumadíssimo e eu sempre sorria para todas as pessoas que via. E isto não era um sonho, era um pensamento mesmo. Pensava nisto e ia imaginando tudo como seria.

Alguns já sabem que não tenho nenhuma lembrança da minha vida até os 13 anos. E este pensamento que me veio agora, enquanto descansava depois do almoço com a cabeça encostada no meu braço em cima da mesa de tampo de vidro da minha sala. Veio como um flash, chegou num susto. E é cheio de simbologia. Conecta algumas coisas. E agora e só no que penso, nas conexões.

domingo, setembro 11, 2005

Descolando o adesivo

Tenho me descoberto uma pessoa muito visual. E assim sigo, compreendendo minhas questões e os sofrimentos típicos. Visualizando fica mais fácil VER em que estágio está este ou aquele problema.
Percebi que o amor que sinto hoje não é por uma pessoa simplesmente. Ele é uma personificação de um sentimento e um convívio que estou buscando faz um tempo em minha vida. É claro que estando junto com a pessoa as duas coisas ficam muito misturadas e mesmo, até hoje, ainda estão.
Visualizando é como se fosse um adesivo. Estou aprendendo a descolar o adesivo, de fato, daquela folha que só serve para prende-lo enquanto não usamos. Ele é como esta folha: descartável. Estou aos poucos descartando, separando um sentimento do outro. Quero o sentimento de verdade, sei o que dele posso aproveitar. Ele aos poucos vai se transformando em passado, página virada. Eu fico com o sentimento em si, descolado dele.

quinta-feira, setembro 08, 2005

Sem palavras

Apenas processando os dias e descolando o adesivo*.

* linguagem puramente visual.

sexta-feira, setembro 02, 2005

Eu estou tão cansada, mas tão cansada que minhas pálpebras estão doloridas. Nem sei mais se tenho sono. Ou se é apenas cansaço. Ao mesmo tempo uma inquietação. Uma vontade de ir para algum lugar e me distrair. Posso também dormir. Durante vinte e quatro horas. Menos que isso não dá. A sensação é de estar voltando de uma viagem longa por uma estrada de terra que quando a gente passa sobe a poeira. Com aquela sensação de rever as pessoas de sua terra e fazer tudo o que eu sempre fazia. Mas eu sempre estive aqui. Tão imersa em meu mundo e em meus afazeres que nem sabia de mais ninguém, nem das notícias da TV, nem dos capítulos das novelas, nem se fazia chuva ou sol. E esta volta ainda é ausente. Ainda estarei, de alguma maneira, fora da órbita.