Levei minha mãe ao cinema.
Ok. Tem muita gente lendo achando isto bem trivial. Mas no meu caso foi a primeira vez depois de quase vinte anos.
Há quase vinte anos atrás, minha mãe combinava comigo e com meu irmão de irmos ao cinema. Ela separava as nossas roupas. Pegávamos um ônibus. Ela nos dava a mão no Shopping. Comprava os ingressos. Íamos às Lojas Americanas comprar uma caixa de chocolate. Antes ou depois da sessão, lanchávamos alguma guloseima escolhida por nós. E, eufóricos, assistíamos ao filme.
Hoje, quase vinte anos depois, eu levei minha mãe ao cinema. Ela estava ansiosa, perguntava: “É hoje mesmo, não é?”. Nos arrumamos e pegamos o ônibus. Eu a conduzo abraçando-a, com o braço em seus ombros. No Shopping, entramos nas Lojas Americanas e compramos uma caixa de chocolate. A diferença foi que hoje minha mãe não precisa mais pegar fila, ela vai para o caixa de idosos (e isso economiza um tempo...). Eu comprei os ingressos, as duas pagam meia entrada. Ela escolheu uma lanchonete para comermos as guloseimas: eu paguei o lanche. Ela estava muito curiosa para entrar na sala de cinema tanto tempo depois. E entrou. E viu como as coisas mudaram. E como não podemos deixar o tempo passar sem acompanhar a evolução do mundo. E mesmo ela, uma mulher esclarecida, com acesso a tantas informações, estava admirada no cinema e se assustou com aquele barulho todo e se encantou com a tela grande, as poltronas acolchoadas dispostas como uma arquibancada.Fiquei pensando em como estarei com a idade de minha mãe. Como estarei quarenta anos mais velha que hoje. E não faço idéia. O que haverá de fascinante? O que haverá de descoberta? Quem sabe possa responder daqui a quarenta anos.